As frutas atingiram, no ano de 2003, cerca de quatro milhões e meio de toneladas, tornando-se o produto agrícola de maior volume de carga e, igualmente, de maior valor da produção, no Estado da Bahia, que responde por cerca de 11% da produção nacional. Embora possa parecer estranho superarem os grãos, mas, a exemplo destes, as frutas também estão tendo um crescimento sustentado, pelo uso de novas variedades desenvolvidas pela Embrapa, de alta tecnologia e, principalmente, de irrigação intensiva, onde a Bahia é estado líder nacional em área irrigada. Apesar da maior concentração se dar na região de Juazeiro, a produção de frutas vem crescendo também nas Regiões Sul, Sudoeste, Chapada Diamantina e Oeste, atingindo e influenciando quase todo o estado. Mamão, manga, uva, limão, banana e coco são os principais produtos.
O sucesso da produção de frutas contrasta com o forte obstáculo da infra-estrutura de transportes, atingindo em cheio o bolso dos produtores, não só pelo alto custo do transporte, mas também pelo comprometimento da qualidade das frutas, que sofrem nos buracos, tudo devido a má qualidade das estradas, no momento atual. As frutas e as olerículas são os produtos agrícolas mais sensíveis às estradas ruins. O modal rodoviário é, de fato, o mais importante para as frutas, em função da sua flexibilidade e da rapidez, mas está quase que totalmente comprometido na Bahia, em decorrência do abandono do governo federal à malha rodoviária baiana, mas isso é outra história. O fato é que chegou a um tal ponto, em que a infra-estrutura deficiente limita a produção baiana e a sua capacidade de competir.
O maior mercado consumidor está nas Regiões Sudeste e Sul do Brasil, sem dúvida, entretanto, é na exportação que se encontra a maior rentabilidade. A exportação de frutas precisa ser direcionada através da Bahia, não só por ser uma produção do estado, mas pela obviedade de distâncias menores aos pontos de embarques.
Nesse sentido, um pouco de planejamento só faria bem aos produtores baianos: fundamentalmente, é preciso que todos lutem, incessantemente, com o governo federal, para este acabar com a discriminação do estado, e resolver, emergencialmente, a conservação das rodovias, e permitir o bom escoamento da produção; em seguida, criar condições para tornar Salvador, a melhor cidade do País originadora de frutas, seja pelo seu porto ou aeroporto. Do grupo das seis frutas mais exportadas pelo Brasil, a Bahia participa com cinco: manga, mamão, uva, melão e limão; a exceção é maçã. O Brasil deve alcançar no ano de 2003 a exportação recorde de US$340 milhões, com expressivo crescimento.
Quando se diz criar condições, procura-se traduzir no ambiente produtivo favorável, seja no aspecto fiscal, na infra-estrutura ou na tecnologia, de tal sorte que, um conjunto de facilidades logísticas, postas à disposição dos exportadores, evite a captura das frutas baianas por outros portos e aeroportos mais distantes. Isso vem ocorrendo pelo vazio organizacional local. Afinal quem paga o preço da captura é próprio produtor. Canalizar as energias existentes de forma sistemática será a saída. A melhor organização do segmento exportador de frutas se faz necessário, a cada dia, para conseguir atender as demandas, desenvolver as facilidades logísticas e superar a concorrência. As forças de mercado, sozinhas, serão insuficientes para dotar a Bahia de um verdadeiro ambiente de facilidades, em curto e médio prazo. A capacitação do aeroporto, a melhor organização no porto, o acompanhamento da regulação da prestação dos serviços públicos e de seus preços, o treinamento de recursos humanos, adequação do uso de espaços na cidade para instalação de centro distribuidor e armazéns, a especialização das instalações para cargas refrigeradas, o desenvolvimento de embalagens oriundas das indústrias baianas de petroquímica e de celulose, a supressão de obstáculos tributários e burocráticos, o desenvolvimento de marca, marketing, entre outras, serão ações que propiciarão qualificar Salvador, como o melhor e o maior ponto originador e exportador de frutas no Brasil, para o mercado mundial. Isto é possível.
Paulo Villa é engenheiro civil, consultor de portos e logísticas