
Paulo Villa
A logística faz parte de um segmento da economia que é o de serviços, em que predomina o trabalho das pessoas. O trabalho tem que ter qualidade para se obter resultados, o que é absolutamente essencial nos serviços de logística. A qualidade só é obtida com o conhecimento.
O salto mundial dado pela atividade logística decorreu, fundamentalmente, da similaridade tecnológica dos processos industriais, em que se passou a buscar eficácia em fatores externos que poderiam fazer alguma diferença para melhor competir. Daí, se estudou e se organizou essa atividade fantástica. No Brasil, se reconhece facilmente a sua importância, mas algumas vezes as pessoas parecem deslumbradas com conceitos óbvios e estrangeirismos desnecessários, que são usados mais para impressionar platéias. O fato é que ao se desenvolver melhor a atividade nos últimos quinze anos, coincidiu ao mesmo tempo, com o desenvolvimento da tecnologia da informação, esta realmente vocacionada ao idioma inglês pelo pioneirismo, e se tornou uma parceira indispensável da logística. Dois dos principais alvos da atividade são a redução de custos e a eficácia. Isso não se consegue sem um bom recurso humano. Em qualquer lugar do mundo, hoje se buscam os bons profissionais de logística. No entanto, isto é muito vago e as empresas também não absorveram integralmente a cultura desse serviço.
O conhecimento para ser completo se inicia no planejamento da compra da matéria-prima e termina na mão ou na boca do consumidor. Como se pode imaginar, envolve uma gama enorme de circunstâncias diferenciadas e mesmo frações de atividades diferentes. O que se quer dizer é que todos os trabalhadores precisam estar devidamente preparados e qualificados, cada um no seu pedaço.
A nossa Bahia tendo uma vocação impar para a logística não pode ficar de fora deste processo, que fazendo a diferença nas empresas, pode fazer a grande diferença para todo o estado. E na logística é essencial que o conhecimento seja local.
Faz-se necessário tratar com carinho os recursos humanos de cada um dos modais de transportes, dando-lhes um ambiente propício para o seu desenvolvimento. É preciso qualificar os trabalhadores portuários nos melhores níveis mundiais; o mesmo, com os trabalhadores rodoviários e ferroviários, criando um novo ambiente positivo. Nos portos, observe-se o Órgão Gestor de Mão de Obra, criado pela Lei no 8.630/93, conhecida como Lei de Modernização dos Portos, promulgada há quase 10 anos, mas que já está ficando velha, pois, não é mais cabível o conceito de “mão de obra”. Isto é associado a força braçal, trabalho não qualificado, que não cabe mais nos portos, nem na maioria das atividades. Os trabalhadores têm que ser tratados com nobreza que os recursos humanos requerem e não como uma simples “mão de obra”. Os recursos humanos dos portos devem ser intensivamente treinados e requalificados para novas funções associadas à tecnologia da informação e automação, que estão presentes nos equipamentos modernos e sofisticados. Adquirir os novos conhecimentos ligados à logística é fundamental para transformar o ambiente. Os novos conceitos precisam estar presente no dia a dia e a educação não pode ser tímida e tem que ser focada naquilo que oferece um resultado global. Os recursos de educação no País aumentaram nos últimos anos, mas ainda estão dispersos quando se observam as atividades vocacionadas de cada região. Assim, está na hora de se pensar na criação de um instituto de logística, para desenvolver e promover o conhecimento local na área, criando uma base transformadora do ambiente. Preparar o homem para o futuro e não para o passado.
Paulo Villa é engenheiro civil, consultor de portos e logística