Como se sabe, o sistema de transporte no País é muito concentrado no modal rodoviário, que responde por cerca de 63% do total da movimentação de cargas.
O estado da Bahia, que dispõe da terceira malha federal em quilômetros de rodovias pavimentadas, é supostamente bem servido. Entretanto, uma olhada sobre o mapa rodoviário do Brasil, publicado no site do ministério dos Transportes, aguçou a curiosidade de se conhecer a densidade de rodovias no País em cada estado, pelo fato da Bahia ser visualizada com pouca densidade. Os números estão disponíveis no mesmo site e não se pode ficar indiferente ao que é mostrado.
Apesar da extensão das rodovias federais, na verdade a Bahia está no grupo de estados com baixa densidade de estradas pavimentadas, tendo a 17ª posição. Está situado entre estados de baixa densidade populacional, a exemplo dos grandes estados das regiões do Centro Oeste e Norte brasileiro, que têm a média de apenas 3,7 habitantes/km2, enquanto a Bahia possui 23 habitantes/km2. Aliás, a Bahia com apenas 7 metros de rodovia federal pavimentada por quilômetro quadrado é o de menor densidade dentre os estados da região Nordeste, apesar de possuir duas longas rodovias no fluxo norte-sul, à serviço da importante ligação nos dois sentidos. Isso explica a economia inerte em algumas partes do estado, com ausência de infra-estrutura e as dificuldades de transportes dos setores produtivos, que tornam os produtos baianos menos competitivos. Ademais, o estado deplorável das rodovias federais na Bahia, seja por falta de conservação de um lado, e do outro, pela oferta deficiente de rodovias federais, sugere, além da falta de atenção com um estado membro da federação, uma verdadeira discriminação.
A constatação do desequilíbrio de infra-estrutura de transportes vem à propósito da oportunidade das discussões para elaboração do próximo PPA – Programa Plurianual, quadriênio 2004-2007, do governo federal. O governo estadual não tem tido condições de atender a totalidade da demanda, como nenhum outro estado e, justiça seja feita, nesse caso o estado da Bahia já tem ido além das suas possibilidades.
É imperiosa a necessidade de se aumentar fortemente a oferta de infra-estrutura de transportes na Bahia, não só para atender a crescente demanda da agricultura e da indústria, mas para atender regiões carentes de emprego e renda, que expulsam seus habitantes, com fome, para os grandes centros urbanos. Como a estrutura de modais não pode ser alterada em curto prazo, é premente a implantação de novas rodovias no estado de responsabilidade do governo federal e este, para ser justo, haveria de compensar a falta de atenção com os baianos na última década.
Paulo Villa é diretor executivo da Associação de Usuários dos Portos da Bahia – Usuport